Se não viu, Eu vi: Vamos olhar hoje para a minissérie “Dercy de Verdade”!

Exibida semana passada na Globo, a microssérie “Dercy de verdade” contou, em quatro episódios, a longa história da comediante que marcou o teatro e a televisão brasileiros. O formato foi parecido com o de “Dalva e Herivelto”, também de Maria Adelaide Amaral. Talvez pela intensidade dramática de Dalva de Oliveira, a brevidade do programa não prejudicou aquela série, exibida ano passado. No caso de “Dercy” foi diferente. O espectador ficou com uma impressão de ter acompanhado uma história hiper-resumida, espremida num tempo insuficiente para construir uma curva de emoção. O ritmo acelerado comprometeu até mesmo algumas sequências com os palavrões da notória desbocada comediante. Eles às vezes pareciam gratuitos, encaixados propositalmente porque sem palavrão não seria Dercy. Maria Adelaide, uma roteirista da melhor qualidade, precisaria dispor de cenas mais longas, e de um enredo mais detalhado.
A trama a jato também sofreu com as investidas da direção (de Jorge Fernando) em numerosas variações estilísticas: imagens em preto e branco, arquivo, narração (feita por Fafy Siqueira) e ficção. Além disso tudo, houve um momento-metalinguagem, com a equipe de gravação chegando à cidade natal de Dercy, com registros dos caminhões e técnicos.
“Dercy de verdade” teve, entretanto, inúmeros pontos positivos, a começar por um elenco sem erros. Heloísa Périssé aproveitou muito bem a oportunidade de viver uma figura rica, polêmica, querida do Brasil. Se entregou ao papel e mostrou uma dimensão do seu talento para além da comédia que o público não conhece tão bem. Fernando Eiras, primeiro marido da personagem, se destacou como Pascoal. Fafy Siqueira, não à toa, surgiu num palco e dona da cena: ela fez Dercy em “Dalva & Herivelto” com a maior competência. Cássio Gabus Mendes, um dos grande atores de sua geração, fez bonito como o protetor da comediante e pai de sua filha. Rosi Campos também brilhou.
“Dercy de verdade” lucrou ainda com fotografia, cenários e figurinos caprichados. Pena que uma história tão cheia de potencial tenha passado tão depressa.
Kogut

Publicado em 1 de fevereiro de 2012, em Se não viu eu vi. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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